quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Retalhos poéticos X




Colando cacos


Sinto falta de mim
Estou repleta demais
Cheia!
Minha presença transborda
Não consigo me estancar.


Os portões estão fechados
E ainda assim vazo
Pelas frestas!
Dos cacos mal juntados
Deste mosaico de mim.


Costuraram-me pelo avesso
Minhas linhas estão expostas
Tortas!
Sou larga e apertada, comprida e curta
Não caibo em mim.


Já fui inteira, certeira
Há bem pouco tempo atrás
Caule, folha e flor!
Até que por brincadeira
Parei no mal-me-quer.


Em qual parte da estrada
Teria deixado de enxergar
Cega!
O tal bem-me-quer
Que costumava me adornar?


Haverá como retornar
Por caminhos já trilhados
Passados!
Sem perder de vista
Os espetáculos do acaso?


Deixei escapar...

Será possível resgatar
A alma chicoteada
O espírito domado, adormecido
A-cor-dar!
Deste fabuloso sono sem fim?


Quero buscar...


Expulsei-me de minha morada
E agora busco um lar
Abrigo!
Onde consiga olhar em volta
E fazer parte do jardim.


Sou toda espinhos
Mas já soube ser flor!


E há de haver quem enxergue
Além dos pingos de sangue
Que faço correr nos dedos
Medos!
Porque ainda tenho perfume...


24.08.2009
_____________

2 comentários:

  1. sinto me extasiada. conforme fui lendo esse escrito, minha alma se encheu de uma profunda perplexida. voce descreveu aquilo que nem eu mesma conseguia extravasar.
    linda voce e seus escritos.

    ResponderExcluir
  2. ahh, esse medo.. chega a doer até aqui

    ResponderExcluir