Colando cacos
Sinto falta de mim
Estou repleta demais
Cheia!
Minha presença transborda
Não consigo me estancar.
Os portões estão fechados
E ainda assim vazo
Pelas frestas!
Dos cacos mal juntados
Deste mosaico de mim.
Costuraram-me pelo avesso
Minhas linhas estão expostas
Tortas!
Sou larga e apertada, comprida e curta
Não caibo em mim.
Já fui inteira, certeira
Há bem pouco tempo atrás
Caule, folha e flor!
Até que por brincadeira
Parei no mal-me-quer.
Em qual parte da estrada
Teria deixado de enxergar
Cega!
O tal bem-me-quer
Que costumava me adornar?
Haverá como retornar
Por caminhos já trilhados
Passados!
Sem perder de vista
Os espetáculos do acaso?
Deixei escapar...
Será possível resgatar
A alma chicoteada
O espírito domado, adormecido
A-cor-dar!
Deste fabuloso sono sem fim?
Quero buscar...
Expulsei-me de minha morada
E agora busco um lar
Abrigo!
Onde consiga olhar em volta
E fazer parte do jardim.
Sou toda espinhos
Mas já soube ser flor!
E há de haver quem enxergue
Além dos pingos de sangue
Que faço correr nos dedos
Medos!
Porque ainda tenho perfume...
24.08.2009
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sinto me extasiada. conforme fui lendo esse escrito, minha alma se encheu de uma profunda perplexida. voce descreveu aquilo que nem eu mesma conseguia extravasar.
ResponderExcluirlinda voce e seus escritos.
ahh, esse medo.. chega a doer até aqui
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