Recado ao Imperador A.
Se ao menos percebesse que sua tristeza é alegre, suas linhas seriam tortas como um despertar assustado. Carrega em cada letra o peso de um tijolo retirado do castelo dos seus sonhos - que, de fato, só existira lá. A leveza com que se entrega é ao mesmo tempo um sussurro e um berrar. Caminha para clarear o pensamento sem saber - sabendo! - que afasta qualquer fresta de sentimento das portas do seu pesar. Ah, se entendesse que o pesar não pesa o que insistimos em carregar! E que a leveza nem precisa sussurrar: cresce no silêncio.
Pesaria o sentir. Pensaria o pesar. Devolveria aos sonhos, o seu castelo, tijolo por tijolo, com a leveza de quem nunca os houvera tirado de lá. E, assim, receberia novos hóspedes.
(11-08-2009)
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