"...como quem partiu, ou morreu
A gente estancou de repente..."
Estagnar, nenhum movimento, nenhuma emoção
obstrução de energia
falta de motivação, indecisão, desorganização
colocar obstáculos no trajeto
escolher o trajeto que mais lhe fere
auto-destruição
resposta a um estilo autoritário de criar?
um formulário de rebelião
mentir para si mesmo
desperdiçar talentos
procurar distração para regular emoções
medo da falha
medo do sucesso
falta esforço? falta habilidade?
não decidir absolve dos resultados
se proteger de um julgamento
se esconder na batalha
busca de segurança
zona de conforto
c o n f o r t o ???
"Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro. E você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo
quem sabe?"
segunda-feira, 7 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Sonetando... ?! (rs)
A busca finda da Borboleta
Soprando de leve o vento
Quase em meus ouvidos canta
O doce nó na garganta
Desfeito, em fugaz alento
A tez arrepia; acende
Face ao seu confesso anseio
De comigo ter esteio
- este amor que a mim se rende
Faz rubra a face fogosa
D'um desejo insano, imenso!...
(poema de amor sem senso)
E ao pintar o céu de rosa
Borboleta voa, prosa
E o Pardal aplaude
... intenso!
Srta. M
04-12-2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Face a face com "Deus".
Tudo o que foi, o que é e o que será. Oh, véu que nenhum mortal levantou até agora!
Será que há consciência por trás da consciência? Ou a manipulamos de acordo com uma conveniência que a torna mais inconsciente que a própria inconsciência?
Chiste? Ato falho? Não, seria mais! A consciência manipulada seria um enganar-se voluntariamente, ou um descobrir-se inconsciente? Descobrir-se do véu da consciência, sem nem ao menos perceber os caminhos enigmáticos que o levaram até lá. E perder de vista a paisagem tão sonhada, a busca de toda uma vida: o que se esconde atrás do véu?
Não há nada que os sonhos nos tragam e que ainda não nos pertençam. Não há verdade que um véu possa encobrir que ainda não saibamos. Certeza incerta, apenas desviamos o olhar diante da [des]coberta. Tolos!, sentimos calafrios de medo de nós mesmos, de nossas sensações, nossas atitudes (ou falta delas), nossas reações diante da consciente inconsciência que nos leva ao início-meio-fim do ser-nos-nos!
Preferimos as questões, pois as respostas apavoram. Seguimos perguntando sem nem aguardar pelas respostas que aprendemos, desde sempre.
De onde vêm as criaturas em nossos sonhos? Como surgem-nos tão perfeitas, tão exatamente-o-que-desejamos?
Quem nos sonda o coração e incansavelmente busca compreendê-lo? Quem, diabos!, joga o enigma em nossos sonhos e deixa apenas o rastro d'um perfume no ar...?
Perdidos, porém encontrados. Sem jamais ter-lhes olhado a face. Será?
Quem bate à porta de nossa casa aguardando explicações? Oh, Deuses!
E lá os Deuses buscam nossas respostas! Eles já as possuem.
E lá os Deuses fazem-nos perguntas! Já sabem as respostas.
Que Deus é esse?! De onde veio?
Tenhamos coragem! Basta ousar levantar o véu da consciência: o "Deus", que mãe Isis jamais escondeu dos mortais...
Face a face. Nós e o nosso Deus. Duas cadeiras frente a frente. Uma delas vazia. A face é a mesma.
Que Deus é esse? Hã?!
Srta. M
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Terra Infértil
Teu sorriso tímido
A brincar de esconde-esconde
Desliza
Em graciosas frestas permissivas
Ao olhar...
Pelo buraco da fechadura
A-porta
(entreaberta).
O doce balançar das tuas ondas faciais
Ligeiras, põem-se a embalar
Meus desejosos sonhos de ninar.
Sinfonia de pássaros e ventanias
Orquestram o silencioso passear
Das borboletas
Violetas!
A fazerem festa - pra ti
dentro de mim.
Balões de ar
Levam a ti meu mais profundo suspirar
De esperança.
Sob a sombra das mangueiras
Águas preparam as goiabeiras
Para a breve colheita
Do que está prenhe em nós!
Outrora germinado
Dentre os verdes arbustos
De exuberantes flores
Que se transmutam
Do branco ao lilás.
Passeando pelo amarelo
Exalam o perfume dos nossos toques
- e retoques,
No ar de uma terra
Cansada
D'um escasso colher
Tendo tanto o que plantar...
Por não ter, no solo,
Amor para adubar.
Srta. M
Gozos da Alma
Estou partindo agora
Mas sinto, não posso ir
Porque meu ser deixei contigo
Oh, tormento, ter que partir!
São os nossos corpos
A moverem-se em direções opostas
E não as nossas almas
Que se entrelaçam em vôos noturnos...
Vem, amor, saber amar!
Sentir o frescor em nossas faces
O hálito meu nos lábios teus.
Quem aprende a dar - amor
Não precisa temer a dor
E quem já amargou um sofrimento
Experimentou seu renascimento.
Deixou restos de paixão
Enterrou os desenganos
São amores e perdão...
Covardia, desilusão
Maliciosa apreensão
Sofreguidão...
Gozos da alma!
Srta. M
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Será pedir demais?
"Preciso poder contar com você
ter outras eternidades ao seu lado
e me divertir com os caprichos da nossa vontade
ter outras eternidades ao seu lado
e me divertir com os caprichos da nossa vontade
Preciso poder explodir nosso big bang
sempre que for necessário um novo começo
ou até mesmo pelo prazer da novidade
sempre que for necessário um novo começo
ou até mesmo pelo prazer da novidade
Poder te olhar e já entender
sem ser preciso desdizer
nem dizer toda verdade
sem ser preciso desdizer
nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
não ter que ter nenhum poder
e poder não ter
não ter que ter nenhum poder
e poder não ter
Será querer demais ?
Será pedir demais ?
Será poder demais ?
Será pedir demais ?
Será poder demais ?
Preciso poder gritar com você
e preservar o respeito em potes transparentes
etiquetados com o prazo de validade
e preservar o respeito em potes transparentes
etiquetados com o prazo de validade
Preciso poder me satisfazer
por estar por perto, mesmo afastado
e confiar, na certeza da cumplicidade
por estar por perto, mesmo afastado
e confiar, na certeza da cumplicidade
Preciso poder ser impreciso."
- Preciso Poder, Jay Vaquer -
sábado, 28 de novembro de 2009
Obra de Talha
Sua canção é por demais airosa
Para cantar-se-lhe a alma faminta
D'uma marcha contínua e penosa
- a pés descalços -, rastejante e tinta!
Segue-se-me este caminhar lúgubre,
E mascara as rajas solares em mi'a tez
Flamejante d'uma alegria fúnebre
Que busca o silêncio; melódica palidez.
Odisséia onírica de deuses em batalha
Eleva-se-lhe veemente, em nome d'honra
Jamais derramada por rubra navalha
Cega da espera d'um precoce partir
Que se me faz velar, obra de talha!
Em vigília de amor, zelosa, a reluzir.
Srta. M
27 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Homenagem de um amigo a Srta M.
"A lua"
"Lua, luminosa e tão distante.
Espero infante tocar-lhe os cachos.
Na noite funda e triste
Minha alegria persiste para te encantar.
Lua, tão breve e intrigante
É sempre instigante esse teu olhar.
De fases e de venturas,
Tão charmosa, tão noturna,
Espero que nunca chegue a passar.
Pergunto à lua de onde vem o brilho,
Se empresta do sol ou reflete de mim.
Tão tolo!
Como imaginar, tão celeste ser
Roubar de tão baixo
A luz tão brilhante?
É, me figuro à noite
Vaguante a observar,
Perdendo os olhos,
Nos olhos o luar.
Perdendo a sanidade
Na insanidade te olhar.
Assim, me passam as noites
Tão breves cortadas pela luz do sol
Me traz à Terra, me vira do avesso,
Espero o recomeço
Se a noite chegar."
Marco Ferreira
"Lua, luminosa e tão distante.
Espero infante tocar-lhe os cachos.
Na noite funda e triste
Minha alegria persiste para te encantar.
Lua, tão breve e intrigante
É sempre instigante esse teu olhar.
De fases e de venturas,
Tão charmosa, tão noturna,
Espero que nunca chegue a passar.
Pergunto à lua de onde vem o brilho,
Se empresta do sol ou reflete de mim.
Tão tolo!
Como imaginar, tão celeste ser
Roubar de tão baixo
A luz tão brilhante?
É, me figuro à noite
Vaguante a observar,
Perdendo os olhos,
Nos olhos o luar.
Perdendo a sanidade
Na insanidade te olhar.
Assim, me passam as noites
Tão breves cortadas pela luz do sol
Me traz à Terra, me vira do avesso,
Espero o recomeço
Se a noite chegar."
Marco Ferreira
Retalhos poéticos (...)
Vício
Sou bailado de moça manhosa
Aérea imagem projetada em dança
Que, sem giz ou carvão, faz-se prosa
E desenha, em cores, sua criança.
Ouço-me sem prévia identificação
Oh, beleza!, enojante melodia de mim
Intrínseco mar visceral de infecção
Eu arrebatada, fétida, carmim!
Busco-me expulsa, exilada, em revoada
Fugitiva d'um querer-te-me tamanho
A preparar sob os olhos mi'a cilada.
Cerro-me em ti, desejo insano
Tateando encontrar-te, rijo castanho
Em cada fugaz olor, descafeinada.
Srta. M
Sou bailado de moça manhosa
Aérea imagem projetada em dança
Que, sem giz ou carvão, faz-se prosa
E desenha, em cores, sua criança.
Ouço-me sem prévia identificação
Oh, beleza!, enojante melodia de mim
Intrínseco mar visceral de infecção
Eu arrebatada, fétida, carmim!
Busco-me expulsa, exilada, em revoada
Fugitiva d'um querer-te-me tamanho
A preparar sob os olhos mi'a cilada.
Cerro-me em ti, desejo insano
Tateando encontrar-te, rijo castanho
Em cada fugaz olor, descafeinada.
Srta. M
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Bolhas de Sabão
Às vezes pergunto-me onde se esconde a sombra em mim. O ardente calor do sol, estampado na face, sem direito a férias, faz desidratar os olhos costumeiramente repletos de um brilho instigante, convidativo ao mergulho sedento, curioso, ousado - até!
Mas o sol insiste em brilhar, 'inda mesmo quando a chuva impede que queime a tez já enrugada de suas rajas. E chove, chove, chove. Na face, tudo; sinais saltitantes de uma alegria tão eufórica que se mostra e esconde-se de si. No semblante, a memória d'um sorriso saudoso, daquela honestidade sábia, mestre, conduzindo os músculos da face ao bailado pranteado dos olhos repletos de sentir.
As mesmas bochechas naturalmente "rougeadas" de um [se ser], latejam, agora, avermelhadas, de um calor interno, aprisionado; um grito mudo de sons nunca pronunciados. Ah!, mas a língua esperta e ansiosa move-se sem rumo e sem sumo, preocupada em manter o prumo, sem nem ao menos saber pra quê.
E fala, fala, fala. Apenas uma voz a mais. Palavras que, de tão usuais, já nem se fazem mais ouvir. Ecoa um apressado zunido, divertido até, soltando gargalhadas como bolhas de sabão, ao vento. Onde será que vão parar? Em ouvidos já cansados e surdos! Muito barulho, por nada; enquanto o silêncio pede para ser decifrado e as narinas mais aguçadas o conseguem farejar, por alguns segundos, distraído.
Cores de Frida Kahlo espalham-se pelo corpo, pela cama, pelo chão. E pintam de escarlate, não as unhas de felina, mas as lembranças tortas da menina, que, por conta própria, borda a estampa do seu peito com A escarlate letra, autorizando a culpa a penetrar, consentida, em seu pesar.
E torno a perguntar: Onde está a sombra de mim, a chuva de mim, as flores e as cores do meu jardim?
Permita-me, oh Lua!, sair da direção do Sol, para que a luz refletida aqui não me faça murchar. Quero, também, os dias nublados, a noite escura, a lua-nova; o merecido descanso, à sombra de mim mesma: eu e meus sons, meus tons, minhas bolhas de sabão soltas ao vento.
Mas o sol insiste em brilhar, 'inda mesmo quando a chuva impede que queime a tez já enrugada de suas rajas. E chove, chove, chove. Na face, tudo; sinais saltitantes de uma alegria tão eufórica que se mostra e esconde-se de si. No semblante, a memória d'um sorriso saudoso, daquela honestidade sábia, mestre, conduzindo os músculos da face ao bailado pranteado dos olhos repletos de sentir.
As mesmas bochechas naturalmente "rougeadas" de um [se ser], latejam, agora, avermelhadas, de um calor interno, aprisionado; um grito mudo de sons nunca pronunciados. Ah!, mas a língua esperta e ansiosa move-se sem rumo e sem sumo, preocupada em manter o prumo, sem nem ao menos saber pra quê.
E fala, fala, fala. Apenas uma voz a mais. Palavras que, de tão usuais, já nem se fazem mais ouvir. Ecoa um apressado zunido, divertido até, soltando gargalhadas como bolhas de sabão, ao vento. Onde será que vão parar? Em ouvidos já cansados e surdos! Muito barulho, por nada; enquanto o silêncio pede para ser decifrado e as narinas mais aguçadas o conseguem farejar, por alguns segundos, distraído.
Cores de Frida Kahlo espalham-se pelo corpo, pela cama, pelo chão. E pintam de escarlate, não as unhas de felina, mas as lembranças tortas da menina, que, por conta própria, borda a estampa do seu peito com A escarlate letra, autorizando a culpa a penetrar, consentida, em seu pesar.
E torno a perguntar: Onde está a sombra de mim, a chuva de mim, as flores e as cores do meu jardim?
Permita-me, oh Lua!, sair da direção do Sol, para que a luz refletida aqui não me faça murchar. Quero, também, os dias nublados, a noite escura, a lua-nova; o merecido descanso, à sombra de mim mesma: eu e meus sons, meus tons, minhas bolhas de sabão soltas ao vento.
Srta. M
23-11-2009
23-11-2009
Esvaindo-me.
Meu trânsito parou! Não se observa o natural movimento dos astros – meus! Nada entra, nada fica. Tudo se esvai... Em náuseas torturantes a maré baixa traz aquela seca mansidão de quem já gotejou em demasia - orvalhos de si - sobre a face pálida.
.
.
O corpo já não sustenta o peso da alma, que soca, esmurra, lateja. Olhos que não se suportam abertos diante da luz. O ‘tum, tum, tum” é samba de moça em finos saltos, a bailar em minha cabeça, enquanto tento fechar as janelas da alma, fugindo de um brilho que não se vai e uma noite que nunca chega.
.
E, mais uma vez, o sustento se esvai... e, em mim, nada alimenta. De mim, tudo exposto: eu recusada, eu mal digerida, eu regurgitada.
.
O rubor em minha face. O arder do pensamento. O pulsar do sentimento. A frágil coluna a mim concedida não sustenta o que sou. Eu dói. Eu mói. E mim sussurra os gemidos.
.
E, mais uma vez, o sustento se esvai... e, em mim, nada alimenta. De mim, tudo exposto: eu recusada, eu mal digerida, eu regurgitada.
.
O rubor em minha face. O arder do pensamento. O pulsar do sentimento. A frágil coluna a mim concedida não sustenta o que sou. Eu dói. Eu mói. E mim sussurra os gemidos.
Srta. M
16-11-2009
16-11-2009
Amizade é Amor
Canção do Mais
E foi assim: a melodia
conversando com as letras!...
N'um silêncio ensurdecedor
do exagerado falar.
Vozes disputando suspiros
no espaço ligeiro, boquiaberto,
de um admirar.
Havia tanto, e tão pouco
no desejo imanente e ingênuo
de fazer-se mostrar
o que implodia, sorrateiro
tentando despistar.
Era uma corrida em disparos
amedrontada da escassez
do tempo, da presença
do breve e eterno encontrar.
Vozes, vorazes, voluptuosas
Emboladas, atropeladas, cantaroladas!...
Letra sem melodia
Melodia sem letra
Libertas, despertas, espertas
A encontrar, sem buscar
melodia na letra
letra na melodia.
...
E foi assim: infinito
em canções do tudo, do muito
do mais!
Srta. M
13-11-2009
Criando laços
Meio Inteiro
Queria pequenez
Meio Cora Coralina
Queria pouco
- e muito
Essa menina!
Queria meio, recheio
Isso, aquilo,
- puro anseio...
Mas fez-se inteira
Essa heroína!
Meio filha
Meio mãe
Meio pai
Meio eira
Meio beira!...
Queria a vida
A brincadeira
A arte pueril
De ser faceira!
Ah, dia
Ah, noite
Ah, estrela!...
Que por tão muito
- e simples
Sonhou-se ser
Hoje, Cora...
Vibrante
Exuberante
De tão elegante!
Srta. M
16-11-2009
Acrosticando
SORRISOS
Sentimentos revelados, enfim!
Ocaso do almejante partir
Risonho tal qual seu sonhar
Rutilante em estrelas sem fim!
Intimidante em fazer-se impelir
Salpicantes borbulhas sonoras, ao ar
Ofuscando sentidos desavisados
Sorrindo-se-lhe!, assim, por fim, tão afim...
13-11-09
Sentimentos revelados, enfim!
Ocaso do almejante partir
Risonho tal qual seu sonhar
Rutilante em estrelas sem fim!
Intimidante em fazer-se impelir
Salpicantes borbulhas sonoras, ao ar
Ofuscando sentidos desavisados
Sorrindo-se-lhe!, assim, por fim, tão afim...
13-11-09
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Eu, o medo e a vida.
E eu? Que tenho medo
Do medo
Que me obriga a correr
Em direção a mim.
E eu? Que tenho medo
Da vida
Que me deixa livre
Para fugir de mim.
E eu? Que tenho medo
Do medo da vida
Da vida de medo
Da paralisia
Da correria
Do caminhar entre as pedras
Do início
E do fim.
E eu? E o medo? E a vida?
Que já não sei mais
Como diferenciar...
04-11-2009
Do medo
Que me obriga a correr
Em direção a mim.
E eu? Que tenho medo
Da vida
Que me deixa livre
Para fugir de mim.
E eu? Que tenho medo
Do medo da vida
Da vida de medo
Da paralisia
Da correria
Do caminhar entre as pedras
Do início
E do fim.
E eu? E o medo? E a vida?
Que já não sei mais
Como diferenciar...
04-11-2009
Malditas Saúvas!
Saúvas, malditas! Saúvas!
De onde surgem tão alegres, tão dispostas?
Veneno às saúvas! E sigamos, vagarosamente...
Na janela um contraste: verdes folhas de amendoeiras, clarão azul do céu, ofuscantes manchas douradas do sol que me convida à vida. O vento que sopra em meus cabelos vem dizer que todos os dias são um milagre, só para relembrar o que eu já deveria saber, mas não sei se simplesmente "sei". Ah, sim, tenho consciência do processo!, responderia - com aquele ar de seriedade de quem racionaliza uma cena irracional.
.
Enquanto o vento sopra, fazendo o seu trabalho diário, persistindo em instigar minhas sensações e tocar os meus sentidos, minha mente trabalha e meu corpo permanece em anestesia. Só consigo realizar que há nós "enjoados" em minhas longas madeixas cor de mel.
.
E a menina Pollyana pensa: Não são lindos os meus cabelos cor de mel? Não são lindos os nós que o amigo vento fez para mim? Como sou feliz por ter o vento, a amendoeira, o sol, o céu...!
De tanto pensar em ser feliz, a menina Pollyana conseguia de fato ser feliz? A menina Pollyana se permitia sentir? Acho que pulei esse capítulo.
.
Ah, o jogo-do-contente! Terei deixado de jogar em algum momento? Terei aprendido a jogar?
.
Mas as saúvas não me saem da cabeça! Sim, da cabeça, porque no coração eu não sei o que vai.
Nos momentos de exaustão, de cansaço extremo, de entregar os pontos (estou confessando isso, ops?), ah, eu quero matar as saúvas alegres!
.
Porque as malditas saúvas não desistem, jamais. As malditas e persistentes saúvas vivem tão pouco e, ainda assim, vivem dispostas.
.
Enquanto elas vivem, eu penso. Penso em pisoteá-las, malditas!
Esmagando-as, eu finalmente sinto.
Fim de jogo.
03-11-2009
De onde surgem tão alegres, tão dispostas?
Veneno às saúvas! E sigamos, vagarosamente...
Na janela um contraste: verdes folhas de amendoeiras, clarão azul do céu, ofuscantes manchas douradas do sol que me convida à vida. O vento que sopra em meus cabelos vem dizer que todos os dias são um milagre, só para relembrar o que eu já deveria saber, mas não sei se simplesmente "sei". Ah, sim, tenho consciência do processo!, responderia - com aquele ar de seriedade de quem racionaliza uma cena irracional.
.
Enquanto o vento sopra, fazendo o seu trabalho diário, persistindo em instigar minhas sensações e tocar os meus sentidos, minha mente trabalha e meu corpo permanece em anestesia. Só consigo realizar que há nós "enjoados" em minhas longas madeixas cor de mel.
.
E a menina Pollyana pensa: Não são lindos os meus cabelos cor de mel? Não são lindos os nós que o amigo vento fez para mim? Como sou feliz por ter o vento, a amendoeira, o sol, o céu...!
De tanto pensar em ser feliz, a menina Pollyana conseguia de fato ser feliz? A menina Pollyana se permitia sentir? Acho que pulei esse capítulo.
.
Ah, o jogo-do-contente! Terei deixado de jogar em algum momento? Terei aprendido a jogar?
.
Mas as saúvas não me saem da cabeça! Sim, da cabeça, porque no coração eu não sei o que vai.
Nos momentos de exaustão, de cansaço extremo, de entregar os pontos (estou confessando isso, ops?), ah, eu quero matar as saúvas alegres!
.
Porque as malditas saúvas não desistem, jamais. As malditas e persistentes saúvas vivem tão pouco e, ainda assim, vivem dispostas.
.
Enquanto elas vivem, eu penso. Penso em pisoteá-las, malditas!
Esmagando-as, eu finalmente sinto.
Fim de jogo.
03-11-2009
Arrogância
Palavras calam minhas vozes
Covardes e sedentas; arredias!
Alfabetizando sensações vazias
Tagarelas, de si mesmas algozes.
Desatados nós, sufocantes
Libertam o que de si não se vai
Gozo que não se permite um só ai
E dores que latejam, incessantes.
Há prazer no pesar do arrogante
Que tritura os próprios joelhos
Por um perdão atroante?
Salva-se o inocente pecador
Juiz de sua própria condenação
Deferida a vã libertação?
02-11-2009
Amarga Doçura
Ah, estou farta de juras de amor! Desses amores selados em pontes parisienses, sobre as águas glamourosas do Siena. Centenas de cadeados enfeitam seculares grades de ferro enlaçando corações que desfilaram apaixonadamente por aqueles chãos já gastos dos passos de tantos corpos a sustentarem beijos cinematrograficamente eternizados.
Amores possíveis esculpidos em mármore de carrara; amores que se pensavam impossíveis, mas desde sempre estiveram lá esperando a retirada dos excessos para que tomassem vida: parla, parla! Não!, não quero ver olhares de paixão em cada escultura que toma vida dentro de mim.
Quero mais é me esconder num daqueles cantões suíços, onde a cultura da prática substitui qualquer expressão de calor humano. Não há perfumes inebriantemente amadeirados que hipnotizam os amantes cantonenses. Os corações pulsam conforme a razão: em horários minuciosamente pre-determinados por relógios - Rolex -, antes que endureçam de frio.
L'amour, l'amour... Oh, céus!
Estou realmente farta de tantas juras, que não foram feitas para mim!
30-10-2009
Amores possíveis esculpidos em mármore de carrara; amores que se pensavam impossíveis, mas desde sempre estiveram lá esperando a retirada dos excessos para que tomassem vida: parla, parla! Não!, não quero ver olhares de paixão em cada escultura que toma vida dentro de mim.
Quero mais é me esconder num daqueles cantões suíços, onde a cultura da prática substitui qualquer expressão de calor humano. Não há perfumes inebriantemente amadeirados que hipnotizam os amantes cantonenses. Os corações pulsam conforme a razão: em horários minuciosamente pre-determinados por relógios - Rolex -, antes que endureçam de frio.
L'amour, l'amour... Oh, céus!
Estou realmente farta de tantas juras, que não foram feitas para mim!
30-10-2009
Homenagem de um amigo a Srta. M.
À poetisa impecável em olhares oceânicos,
Àquela dos fios dourados em raios a-Rá-luzentes...
Para (a) insondável Musa que corta e molda,
com amor,
...dedico essas frágeis linhas tremeluzentes...
Muito obrigado!
"Quando você começa a cair, me ajoelho e redireciono minhas preces
A que outro deus buscarei se tombares?
Minha voz clama em vão...
Um canto de anjo perdido...
No meio de uma frase palavras faladas passam a chegar em linhas
É como abrir o jornal e ler a manchete de uma tragédia sob a fotografia da Musa que inspira...
Minha língua salga, confrontado com a onírica realidade de ter de ser deus por deus
E eu sinto medo...
Cadê o Riso que impera?...
Aquele que chega sem avisar - de surpresa, amante
Não sabendo a que deus adorar, resolvi adorar todos eles
- Mãe Ísis e O Único -
Não sabendo pr'a que deus voltar minhas súplicas, resolvi destruir todos eles
Cortei-me em pedacinhos
Juntaste os pedacinhos, dando-me continuidade
Uma rosa nos Campos Elísios - não nasce, não murcha e não morre; eterna e sem vida
Musa - todas Elas n'Uma só, longe das montanhas esquecidas da Trácia
Num mundo onde vulgares machos mortais riem para que choremos
Na temida Cidade Maravilhosa segues publicando o amor em versos e prosa - pr'onde partiu o nexo a caminhar?
Por ti - vou contar algumas vezes até o infinito
Por ti - mergulhar duas vezes no mesmo rio
E ainda antes que essa noite acabe,
...verei o Sol brilhar no teu olhar mais uma vez..."
Adriano do Carvalho
05-10-2009
Casulo em volúpias
Feixes de luz anseiam por deslizar
Entre as aflitas e acastanhadas frestas da cortina
Descobrindo-me, nua, a realizar
Esta borboleta que, em seu casulo, desatina.
Minha face encontra-se em rajas de fogo
Atiça-me o sentido; intenso, cobiçoso
Dança em meu corpo o bailar de um jogo
Que me venda os olhos; persegue-me, apetitoso.
Pulsante que só ela, oh, Luz!, acenda-me!
Devore-me a carne fria, o olhar opaco
Transmute-me no Mais, desfastie-me!
Faça irromper volúpia neste casulo fraco.
Busque-me, Vida, antes que ouse fugir
Resgate-me; impeça que já me tenha perdido ao léu
Faça-me menos cânone e nem tanto meretriz
Costure-me em meu cerne, mas liberte-me desta raiz.
02-10-2009
Acrosticando
Em homenagem a um A!migo de valor inestimável.
Obrigada por Ser em minha vida.
Obrigada por cada gota de sabedoria que respinga aqui.
A sua felicidade é hoje, agora e sempre.
Permita-me, apenas, partilhar.
Amo-te!
Tatuebra
Andarilho atemporal de tantas Batalhas
Discípulo honrado dos Grandes Mestres
Rascunha a morte que não lhe é concedida
Imperador, Rá!, dos Campos de Vida!
Atreve-se a cegar-se diante de seus feitos
Nefasta trama de recusas reticentes
Ordem, honra, força e glória - e os pés é que penem!
Srta. M
02-10-2009
Obrigada por Ser em minha vida.
Obrigada por cada gota de sabedoria que respinga aqui.
A sua felicidade é hoje, agora e sempre.
Permita-me, apenas, partilhar.
Amo-te!
Tatuebra
Andarilho atemporal de tantas Batalhas
Discípulo honrado dos Grandes Mestres
Rascunha a morte que não lhe é concedida
Imperador, Rá!, dos Campos de Vida!
Atreve-se a cegar-se diante de seus feitos
Nefasta trama de recusas reticentes
Ordem, honra, força e glória - e os pés é que penem!
Srta. M
02-10-2009
Navegante.
Eis que o meu barquinho chegou
Não sei se nele embarco
Se fico a mirar sua viagem
Ou entro só de passagem.
A tardinha já caiu
O sol cedeu lugar à lua
Meu barquinho continua no cais
Solidário, aguardando os meus "ais".
Ai, isso; ai, aquilo; ai de mim; ai de nós!
Cansada de tantos "ais"
Agora eu quero é mais!
E o barquinho vai... a tardinha foi
Mas sob a luz da noite-guia
Sem miragem e sem passagem
Embarquei em cima da hora
Fui-me embora!
Enfim, estou no agora.
02-10-2009
Não sei se nele embarco
Se fico a mirar sua viagem
Ou entro só de passagem.
A tardinha já caiu
O sol cedeu lugar à lua
Meu barquinho continua no cais
Solidário, aguardando os meus "ais".
Ai, isso; ai, aquilo; ai de mim; ai de nós!
Cansada de tantos "ais"
Agora eu quero é mais!
E o barquinho vai... a tardinha foi
Mas sob a luz da noite-guia
Sem miragem e sem passagem
Embarquei em cima da hora
Fui-me embora!
Enfim, estou no agora.
02-10-2009
Apenas uma agulhada!
Sessenta anos e fugiu de casa
Com um pequeno pau na mão
Pensando que a força que lhe faltava
O mísero objeto forjava.
-
O delírio de um falo
O cantar rouco de um galo
Que tem mais de garnizé
A outra coisa qualquer.
-
E faltando algo a dizer
Para os tais 15 minutos de fama
Há quem mostre o pau
E esconda a face
Toda enterrada na lama.
01-10-2009
Com um pequeno pau na mão
Pensando que a força que lhe faltava
O mísero objeto forjava.
-
O delírio de um falo
O cantar rouco de um galo
Que tem mais de garnizé
A outra coisa qualquer.
-
E faltando algo a dizer
Para os tais 15 minutos de fama
Há quem mostre o pau
E esconda a face
Toda enterrada na lama.
01-10-2009
Acrosticando
Profundidade.
-
Perco meu juízo, meu norte
Rogo por meu senso e tento
Ostentar por covardia a minha sorte
Fazendo poeira em ressecado cimento
Unto-me com óleo que santo não é
Nado em água benta por outro Pai
Dou-me in cash, nada de pinga-pinga
Intuo o flash e fujo
Deito no chão frio
Ansiando pela força que chama ao centro
Despenco, fria, suada, em chamas de calafrios
Enterro-me em mim.
01-10-2009
-
Perco meu juízo, meu norte
Rogo por meu senso e tento
Ostentar por covardia a minha sorte
Fazendo poeira em ressecado cimento
Unto-me com óleo que santo não é
Nado em água benta por outro Pai
Dou-me in cash, nada de pinga-pinga
Intuo o flash e fujo
Deito no chão frio
Ansiando pela força que chama ao centro
Despenco, fria, suada, em chamas de calafrios
Enterro-me em mim.
01-10-2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Somos nós!
O não convencional é anti-social
O não conveniente é excêntrico
O não tradicional é bizarro
O não condizente é insano.
Dizem por aí?
... e aí vamos nós!
A quem ouve mais, menos som
A quem fala mais, menos voz
A quem enxerga mais, menos visão
A quem sente mais, solidão.
Dizem por lá?
... e lá vamos nós!
Os anti-sociais estão surdos
Os excêntricos estão mudos
Os bizarros estão cegos
Os insanos estão (se)gregados.
Dizem por aqui?
... e aqui vamos nós!
Convencionamos a exclusão que ensurdece
A conveniência que emudece
A tradição que cega
E a condição que enlouquece: ousadia lúcida de quem teima em berrar.
Disseram, já?
... e fomos nós!
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