quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Amarga Doçura

Ah, estou farta de juras de amor! Desses amores selados em pontes parisienses, sobre as águas glamourosas do Siena. Centenas de cadeados enfeitam seculares grades de ferro enlaçando corações que desfilaram apaixonadamente por aqueles chãos já gastos dos passos de tantos corpos a sustentarem beijos cinematrograficamente eternizados.

Amores possíveis esculpidos em mármore de carrara; amores que se pensavam impossíveis, mas desde sempre estiveram lá esperando a retirada dos excessos para que tomassem vida: parla, parla! Não!, não quero ver olhares de paixão em cada escultura que toma vida dentro de mim.

Quero mais é me esconder num daqueles cantões suíços, onde a cultura da prática substitui qualquer expressão de calor humano. Não há perfumes inebriantemente amadeirados que hipnotizam os amantes cantonenses. Os corações pulsam conforme a razão: em horários minuciosamente pre-determinados por relógios - Rolex -, antes que endureçam de frio.



L'amour, l'amour... Oh, céus!

Estou realmente farta de tantas juras, que não foram feitas para mim!

30-10-2009

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