Saúvas, malditas! Saúvas!
De onde surgem tão alegres, tão dispostas?
Veneno às saúvas! E sigamos, vagarosamente...
Na janela um contraste: verdes folhas de amendoeiras, clarão azul do céu, ofuscantes manchas douradas do sol que me convida à vida. O vento que sopra em meus cabelos vem dizer que todos os dias são um milagre, só para relembrar o que eu já deveria saber, mas não sei se simplesmente "sei". Ah, sim, tenho consciência do processo!, responderia - com aquele ar de seriedade de quem racionaliza uma cena irracional.
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Enquanto o vento sopra, fazendo o seu trabalho diário, persistindo em instigar minhas sensações e tocar os meus sentidos, minha mente trabalha e meu corpo permanece em anestesia. Só consigo realizar que há nós "enjoados" em minhas longas madeixas cor de mel.
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E a menina Pollyana pensa: Não são lindos os meus cabelos cor de mel? Não são lindos os nós que o amigo vento fez para mim? Como sou feliz por ter o vento, a amendoeira, o sol, o céu...!
De tanto pensar em ser feliz, a menina Pollyana conseguia de fato ser feliz? A menina Pollyana se permitia sentir? Acho que pulei esse capítulo.
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Ah, o jogo-do-contente! Terei deixado de jogar em algum momento? Terei aprendido a jogar?
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Mas as saúvas não me saem da cabeça! Sim, da cabeça, porque no coração eu não sei o que vai.
Nos momentos de exaustão, de cansaço extremo, de entregar os pontos (estou confessando isso, ops?), ah, eu quero matar as saúvas alegres!
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Porque as malditas saúvas não desistem, jamais. As malditas e persistentes saúvas vivem tão pouco e, ainda assim, vivem dispostas.
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Enquanto elas vivem, eu penso. Penso em pisoteá-las, malditas!
Esmagando-as, eu finalmente sinto.
Fim de jogo.
03-11-2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
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