quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Casulo em volúpias



Feixes de luz anseiam por deslizar
Entre as aflitas e acastanhadas frestas da cortina
Descobrindo-me, nua, a realizar
Esta borboleta que, em seu casulo, desatina.

Minha face encontra-se em rajas de fogo
Atiça-me o sentido; intenso, cobiçoso
Dança em meu corpo o bailar de um jogo
Que me venda os olhos; persegue-me, apetitoso.

Pulsante que só ela, oh, Luz!, acenda-me!
Devore-me a carne fria, o olhar opaco
Transmute-me no Mais, desfastie-me!
Faça irromper volúpia neste casulo fraco.

Busque-me, Vida, antes que ouse fugir
Resgate-me; impeça que já me tenha perdido ao léu
Faça-me menos cânone e nem tanto meretriz
Costure-me em meu cerne, mas liberte-me desta raiz.

02-10-2009

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