quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Costurando retalhos I



Sinto-me, agora, como a alma trêmula d’Aquele príncipe cego que, de tanto enxergar, cegou-se num vale de lágrimas. A cegueira é o delírio da visão de um impossível, que se sabe possível e pulsante, a desejar libertar-se dos grilhões formigantes de fuga. Quiçá, oh, príncipe, não seja O Castelo o seu lugar! Arrombe os portões e parta para O Mundo – o lado de cá. Pedras anestesiam como bolhas; mas estas, ao menos, permitem observar o correr dos dias perdidos em isolamento consentido: têm janelas de vidro. Suba no mais alto d’Aquela Torre e solte o recalcado gritar: Ó Zeus, liberte-me ou leve-me consigo! É chegado o tempo de arriscar o pulo ou permanecer sonâmbulo, a vagar pelos corredores d’O Castelo que já não o abriga mais – a carne, talvez; mas a alma jamais. Lembre-se de esquecer as fantasias de sonhos despertos, para que possa, por fim, descansar os ombros caídos de tanto pesar.

O Mundo - lado de cá - permite que princesas existam além das linhas imaginárias do perturbador pensar. N’Aquele Castelo elas estão adormecidas, ainda que belas. Calorosos príncipes anestesiados e belas princesas adormecidas – eis o que muros de pedra constroem!

                                                      

Sê sagaz. Minerva já desenrolou o novelo. Siga-o e mate a Fera!


12-08-2009

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