Sobre a curiosidade humana
Casou-se com a máscara que encobria o conteúdo. Fez pacto com a aparência que, "a-parente-mente", lhe agradou. Na alegria e na tristeza, Voilà! Personificou o seu estar acompanhado e saiu às ruas, de mãos dadas. Aprazia-lhe o sentimento da não-solidão. Agradava-lhe o palco e a platéia a aplaudir – a personagem ou a persona, tanto faz.
Fez juras ao amor eterno, de jamais lhe interrogar. Pensou que, o combinado, caro, não sairia. De sua casa desconhecia os cômodos, que ao passar dos anos instigou-lhe incômodos. Quis abrir a porta – justo a que importa! - cuja chave não lhe permitiu tocar.
Deu-lhe, carinhosamente, a ingestão do longo sono. Os corredores pareciam não ter fim; labirinto do qual buscava escapar. Comeu do fruto proibido, quebrou as juras e a porta então se abriu. Era ela, enfim: a máscara caiu! Fez-se O Grito na alvorada; intocável e distante estava a sua assustada – e assustadora – face.
Chorou lágrimas de sangue. Era o grito e só o grito. Desmascarada, parecia tela; mas era ela, ela era.
Sapos caíram dos céus. Oh, angústia; alma deslavada!
14-08-2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
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