quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Costurando retalhos III

Céu de Rainhas

Caminhante sabe que o caminho se faz ao caminhar. Mas de tantos caminhos já traçados, perdeu-se n’Aquelas (des)trançantes encruzilhadas, que não o levaram de Cá para Lá. Foi parar: sabe-se-Lá! Que mundo Acolá; oxalá Céu de Rainhas!


Hipnotizado, engraçou-se – e caiu em graças! - às Divas Noturnas. Ao desencontro total de si mesmo - e por faltar-lhe senso e direção - restou-lhe Aquela empoeirada humildade, persistente companheira de jornada e conselheira, arrogantemente ignorada, apenas até então.


Ajoelhou-se aos Céus, em clamor, pedindo às Divas: Céu de Rainhas; dá-me paz! E tão certo como a Terra é redonda, há que existir outros céus, onde dispostas e expostas Estrelas façam mais do que insinuar: cantem e encantem, dancem ao Luar, clareando o Obscuro interior onde habita um Ser de luz.
 Sem mais Rainhas – e sendo tão menos Rei – finalmente apaixonou-se por virgens horizontes, sedento por desbravar a Lua-Nova-Vida que, aos solavancos, escolhera levar.


A idéia de aproximar-se para, então, afastar-se, parecia morrer antes mesmo de nascer. Ao final – e afinal -, por que se afastaria? Era de se pensar, mas preferiu, por ora, sentir. Gozou seu coração a fervilhar; impossível disfarçar o tremor nas mãos e pernas a bambear! Havia chegado ao desfecho d’Aquele passeio pela Roda das Mouras; seu mundo girou e retornou ao ponto de partida. Entendeu que a Fortuna está a rodar, que altos e baixos são o Real caminhar.


E já que a Terra é redondamente circular, tudo gira ao Seu redor: inclusive ele, Aquele. O caminho não se dá ao contrário, jamais. Somos meros expectadores das voltas dos Astros, e não astros de nossas próprias expectativas.


Sentiu, enxergou, cheirou, tocou, provou. Preencheu-se de sensações. Estava inteiro outra vez, um Ser apaixonante e apaixonado, amante e amado... Senhor de sua própria história, girando com a Roda, a bailar...


Oh, ingenuidade dos sofredores, que afasta para aproximar e aproxima para afastar! Oh, medo dos amantes - maliciosamente pueril – de não realizar o óbvio: Quem chega e sai ou sai para chegar, certeza incerta [como a Terra não é plana, não!] é que não gosta – e já o sabe!- do que vai encontrar por Lá.


14-08-2009

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