quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Alinhavando diferenças




É tantas que não cabe em uma só. E essas muitas vivem a discordar dentro dela. O observador mais atento percebe que, mesmo quando uma delas sobressai, as outras estão por trás, pedindo um tantinho de atenção.

Nascida de parto normal em 24 de maio de 1977, às 20h, em uma cidadezinha do interior, sua mãe levou 12 horas em trabalho de parto. Pudera! Deu à luz muitas meninas inquietas naquela exuberante noite de inverno:

A mais ensimesmada trancava-se no quarto e dançava, sozinha, em frente ao espelho, enquanto o mundo desabava do lado de fora.
A mais sensitiva sabia porque o mundo estava desabando e sofria com isso, guardando o segredo para si - sem impedir.
A espoleta, ao dar-se conta que havia um desabamento, partia, sem hesitar, e segurava os cacos, para evitar que alguém se machucasse. E voltava toda cortada.
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Foi uma adolescente namoradeira, mas gostava de estar só. Tinha muitos colegas, mas poucos amigos. Todos a conheciam, mas ela quase não conhecia ninguém. Estudiosa; sempre adorou aprender, mas destava ler. Copiava mais que criava. Obedecia e não sonhava. Tinha uma inquietude tão grande, que, ou andava torta, ou parava. Perfeccionista, em algum momento escolheu parar. Não queria ser torta na vida.
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Quando adulta aprendeu a gostar de ler. Parou de obedecer. Criou mais que imaginou. E voou - torta!
Percebeu que amigos valem mais que colegas; permitiu-se cativar e ser cativada. Namorou menos e amou mais. Conviveu com a própria solidão e amou mais ainda. Entendeu seus pais e perdoou seu irmão.
Aceitou o seu desassossego interior e, assim, exteriorizou-se.
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Descobriu que as muitas mulheres dentro de si poderiam conviver em paz. Fez com elas um pacto de vida: todas eram igualmente necessárias, não podia viver sem nenhuma parte de si. E passou a irradiar aquela luz que, desde sempre, esteve a acompanhá-la.
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É alegria, entusiasmo, boa vontade, generosidade... e humanidade exacerbada.
É também melancolia, preguiça, desânimo, solidão necessária... e humanidade excerbada.

Já nasceu torta, mas às vezes é reta.

Foi parida antiga e cresceu inovando.
É tantas. É uma. E às vezes nem é nada.
É o que foi, o que é e o que será.
Simplesmente ela, senhorita M.

06.09.2009

5 comentários:

  1. Que lindo esse texto.... também fui sempre muitos em um só, melancólico e alegre, tímido e extrovertido etc... tocou meu coração ver parte de sua história nessas linhas e lembrar de mim mesmo.

    :)
    Seu mais novo e fiel leitor

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  2. Chegou á alguma conclusão sobre a foto?

    Eu gosto da forma como voce transforma e compõe os textos/poemas. As vezes me lembra alguém que pega argila, e vai moldando ela, transformando em vasos lindos aquilo que até então não tinha forma. Quero ler mais e mais os seus vasos... ops... poemas/textos.

    :)

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  3. qualquer dia desses, um que estiver de bobeira, topas escrever minha biografia? Rá!
    adorei conhecer mais dessa srta! *-*

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  4. Se todos havemos de ter milhares dentro de si, então as mulheres devem ter bilhões.

    Sempre intrigantes, sempre incríveis. Sempre mulheres.

    Interno, seco, mas interno.

    Parabéns.

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